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terça-feira, 12 de março de 2013

Comunicação difícil

No início de 2007 eu trabalhava em uma loja de roupas na cidade de Governador Valadares, Minas Gerais.
Nesta época, Governador Valadares era conhecida pela grande quantidade de moradores que iam tentar uma "vida melhor" nos EUA. Portanto, todos os moradores já tinham morado nos EUA ou tinham parentes morando la.
Era grande também o número de visitantes de diversos lugares do mundo durante o campeonato de voo livre no mês de fevereiro.

Estava eu sentada atrás do balcão, pensando na vida, já que naquela semana, nem mesmo as moscas entravam naquele estabelecimento. Eis que me surgem 2 mulheres que eu logo julguei serem mãe e filha.
Loiras, muito brancas e com a pele extremamente vermelha, talvez pelo sol infernal que fazia lá fora.
A mais velha disse "Ola" e eu pude logo notar pelo sotaque que ela não era brasileira. Até ai tudo bem, pois eu achava divertido poder usar meu inglês da escola dos Mórmons recém aprendido.
Ela pegou uma calça jeans nas araras, colocou na frente do corpo para ver se era do seu tamanho.
Então falou umas 3 ou 4 palavras que meu pobre cérebro não conseguiu assimilar. Eu, já com um sorriso amarelo que denunciava meu desespero disse:
-Sorry...
E para o meu desespero ela continuou. Tirava e colocava peças nas araras, apontava, falava zilhões de palavras estranhas e devolvia a peça para a arara.
Eu como não podia entender o que ela dizia, e ela parecia não entender inglês, comecei a tentar me comunicar por sinais.
De repente eu estava me comportando como uma macaca de circo. Observava as reações das duas e tentava agir igual. Elas falavam, falavam, falavam entre si e depois riam. E eu, com cara de pastel do lado, ria também. Ela falava mais umas trocentas palavras e olhava pra mim e fazia uma pausa, como se esperasse minha reação. Se ela estivesse séria, eu apenas balançava a cabeça pra cima e pra baixo, pedindo a Deus que eu não estivesse concordando com alguma coisa bizarra.
Então, depois de uns 20 minutos elas sairam com cara de bravas e eu pude voltar a respirar.

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